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António Cordeiro

Espiritualidade prática

Uma espiritualidade que não altera a forma como trata as pessoas é um passatempo.

Há uma espiritualidade que serve para fugir e outra que serve para chegar. A primeira é reconhecível: usa vocabulário elevado para não ter de fazer o telefonema difícil. A segunda nota-se nas coisas pequenas, na paciência, na forma de discordar, no que se faz quando ninguém está a ver.

Aquilo que aqui chamo prática não tem nada de místico. É reparar no pensamento antes de o obedecer. É poder estar em desacordo sem estar em guerra. É deixar cair uma defesa e verificar que não aconteceu nada de mal.

Serve tanto a quem tem uma religião como a quem não tem nenhuma, porque não acrescenta crenças, retira automatismos.

Por onde começar
  1. Reparar, sem corrigir

    Uma semana só a observar o que a cabeça vai dizendo.

  2. Escolher uma situação

    A que mais se repete. Não a mais grave.

  3. Praticar aí, e só aí

    Profundidade num sítio vale mais do que superfície em dez.

  4. Verificar nos outros

    A mudança nota-se primeiro em quem vive consigo.

Da ideia à prática

Se procuras uma forma concreta de levar estes princípios para as relações e situações comuns do dia a dia:

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